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Direitos humanos: de volta para o futuro


"Earth people over sea and land" (Pessoas da Terra sobre o mar e a terra). Cabo Dorset, 2012, obra de um artista Inuit.

Aldous Huxley, Arnold Schoenberg, Benedetto Croce, F. S. C. Northrop, Harold J. Laski, Humayun Kabir, Jacques Maritain, Lo Chung-Shu, Pierre Teilhard de Chardin e Salvador de Madariaga – estes são alguns dos colaboradores para este número de O Correio. 

Para marcar o 70o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 10 de dezembro de 1948, decidimos fazer uma visita ao passado a fim de nos orientar melhor no futuro. Isso explica o título deste número, “de volta para o futuro”. 

Regressando a 1946, quando o mundo se recuperava das consequências da Segunda Guerra Mundial, “que tipo de declaração moral a comunidade internacional poderia fazer que expressasse adequadamente sua indignação coletiva e sua esperança por um futuro melhor, ainda que utópica”? Mark Goodale discute esse enorme esforço internacional em seu artigo introdutório para nossa seção Grande angular, que ele também editou como convidado . 

A série de artigos nessa seção revela uma parte até então pouco conhecida da história da Declaração Universal dos Direitos Humanos – a pesquisa sobre as origens e fundamentos filosóficos dos direitos humanos. Essa iniciativa foi decidida durante a primeira Conferência Geral da UNESCO (novembro-dezembro de 1946) e lançada no ano seguinte pelo primeiro diretor-geral da Organização, Julian Huxley. Foi coordenada pelo jovem filósofo francês, Jacques Havet.

Para esse projeto, a UNESCO reuniu as principais figuras intelectuais do mundo no pós-guerra, contribuindo, assim, de forma essencial para a reflexão sobre os direitos humanos à época. Ele permanece incrivelmente relevante nos dias de hoje.

Igualmente relevante hoje, são os desenhos da seção Nosso Convidado, do artista peruano Fernando Bryce, que tem sua inspiração nesse período histórico, “onde a ideia de progresso estava genuinamente ligada a uma perspectiva completamente nova”. Sua série, The Book of Needs (O Livro das Necessidades, em tradução livre), que se baseia nas páginas das edições de O Correio entre 1948 e 1954, transformando-as em obras de arte, é apresentado como um suplemento neste número.


Capa de O Correio, de fevereiro de 1951, e sua interpretação artística feita por Fernando Bryce, em 2015.

 

A questão dos direitos humanos é particularmente grave atualmente quando se refere aos migrantes. Este tema é discutido em nossa seção Ideias. Outra questão comovente é abordada no artigo, “Mossul, a cidade com duas primaveras", que abre a seção de Assuntos atuais e faz parte da iniciativa para  Reviver o Espírito de Mossul, lançada pela UNESCO em fevereiro de 2018.

Na seção Zoom, O Correio aborda outra questão delicada – a violência de gênero. Todos os anos, cerca de 250 milhões de crianças são submetidas à várias formas de violência de gênero. Esses testemunhos de algumas jovens mulheres haitianas devem servir para alertar a opinião pública sobre a extensão dessa calamidade que afeta todos os países do mundo.

 

Finalmente, para encerrar o ano de suas celebrações do 70o aniversário, O Correio presta homenagem ao homem que fundou e editou a Revista pelos primeiros 30 anos de sua existência – a jornalista norte-americana Sandy Koffler (1916-2002).

Jasmina Šopova, diretora editorial

Descubra outros números de O Correio dedicados aos direitos humanos aqui.

2018-4