Building peace in the minds of men and women

Línguas e conhecimentos indígenas (IYIL 2019)

Mama Matilde, do grupo étnico Waranka, do Equador, que é vidente, purificadora de almas, dançarina, palhaça e curadora, assim como seus ancestrais têm sido por séculos. Na foto estão ela e a fotógrafa Karen Miranda Rivadeneira (Estados Unidos-Equador).

 

“Quando beber água, lembre-se da fonte” (provérbio chinês)

A maioria das línguas indígenas está em perigo, apesar de serem os principais transmissores de conhecimento que oferecem soluções originais aos desafios contemporâneos. “A primeira razão para a dramática situação em que as línguas indígenas se encontram é a ameaça à própria existência de seus falantes”, é o que lemos no artigo introdutório. de autoria de Minnie Degawan (Igorot, Filipinas). “Nas Filipinas, o governo promove o uso das línguas maternas nas escolas, mas não investe em professores ou em materiais que permitam que as crianças indígenas aprendam em suas próprias línguas”, explica ela.

É uma situação semelhante da Ilha de Páscoa, onde os Rapa Nui estão sendo “dominados pelo espanhol em uma velocidade vertiginosa, com consequências prejudiciais significativas sobre os valores da comunidade”, segundo a pedagoga María Virginia Haoa (Rapa Nui, Chile), que vê a educação como um meio de garantir a sobrevivência de sua língua.

Essa sobrevivência também depende dos meios de comunicação, dizem Avexnim Cojti (K’iche, Guatemala) e Agnes Portalewska (Polônia), duas mulheres especialistas da Cultura Survival, que explicam especialmente por que a mídia indígena muitas vezes é forçada a operar na ilegalidade, apesar das legislações nacionais favoráveis.

Na África, justamente a legislação nacional é inexistente, embora no âmbito regional os países se comprometam formalmente a defender os direitos dos povos indígenas, segundo Hindou Oumarou Ibrahim (Mbororo, Chad).

No Canadá, as Primeiras Nações são as mais vulneráveis entre os marginalizados, diz a cineasta Manon Barbeau, que está por trás de mais de mil documentários produzidos por membros de comunidades indígenas, visando a restaurar sua autoconfiança e a torná-las mais visíveis no contexto internacional. SIKU, outro projeto desenvolvido pelos Inuítes do Canadá, mostra, por sua vez, a capacidade desses povos de combinar o conhecimento mais antigo com as tecnologias mais modernas.

O estabelecimento de 2019 como o Ano Internacional das Línguas Indígenas (IY2019) nos oferece a oportunidade de rever questões relacionadas às línguas e aos conhecimento indígenas também em outras latitudes: entre os Fijians no Pacífico, os Dong na China, os Sámi na Lapônia Sueca, os Bahima em Uganda, os Maoris na Nova Zelândia e os Mixtecas no México.

Nas seções, fazemos um desvio até Bangladesh, onde, após cada inundação, a vida é retomada, e examinamos os riscos relacionados à água que afetam a maior parte da população mundial.

 

Em destaque estão dois nomes da literatura mundial: Wystan Hugh (W.H.) Auden, com suas reflexões inéditas sobre liberdade e arte, e o poeta armênio Hovhannes Toumanyan, cujo aniversário de 150 anos é celebrado este ano.

Nosso convidado é o pensador contemporâneo sudanês, Abdullahi Ahmed An-Na’im, que compartilha suas ideias sobre os direitos humanos a partir de uma perspectiva intercultural.

Finalmente, ao oferecer a você, leitor, a oportunidade de aprender mais sobre as celebrações do Nowruz, o Ano Novo persa, toda a equipe de O Correio lhe deseja um excelente 2019!

 

Jasmina Šopova, diretora editoral

2019-1