Cultura de paz no Brasil

O estabelecimento de uma cultura de paz e o desenvolvimento sustentável estão no cerne do mandato da UNESCO. A capacitação e a pesquisa em desenvolvimento sustentável estão entre as prioridades, assim como a educação em direitos humanos, competências para as relações pacíficas, a boa governança, a memória sobre o Holocausto, a prevenção de conflitos e a construção da paz.

A pobreza, a desigualdade e a injustiça social se refletem na contínua violação dos direitos humanos, incluindo o direito à vida e à segurança.

A questão da violência no Brasil é uma das maiores preocupações da sociedade. Os índices de violência e de insegurança, especialmente nos grandes centros urbanos, aumentaram nas últimas duas décadas.Atualmente, os homicídios são uma das principais causas de morte entre homens jovens de idades entre 15 e 39 anos, sendo que a maioria das vítimas é constituída por homens negros.

  • No IVJ 2017, ano base 2015, foi constatado que em  quase  todos os estados brasileiros,  as  negras  com  idade  entre  15  a  29  anos  apresentam mais risco de exposição à violência que as jovens brancas na mesma faixa etária. O risco relativo de uma jovem negra ser vítima de homicídio é 2,19 vezes maior do que uma jovem branca.

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    Entre as jovens e os jovens brasileiros de 15 a 29 anos, a chance de um jovem negro ser assassinado é quase três vezes (2,70) superior a um jovem branco na mesma faixa de idade

Os dados estatísticos permitem caracterizar que a violência incide essencialmente sobre a população jovem do Brasil, e os negros são os mais vulneráveis.

Educação sem violência

Mais do que teoria e prática, a não violência deve ser uma atitude que permeia toda a prática de ensino, envolvendo todos os profissionais de educação e os estudantes da escola, os pais e a comunidade, em um desafio comum e compartilhado. Assim, a não violência integrada confere ao professor outra visão do seu trabalho pedagógico. A escola deve dar lugar ao diálogo e ao compartilhamento, tornando-se um centro para a vida cívica na comunidade.

Para obter um impacto real, a educação sem violência deve ser um projeto de toda a escola, o qual deve ser planejado, integrado em todos os aspectos do currículo escolar, na pedagogia e nas atividades, envolvendo todos os professores e profissionais da escola, assim como toda a estrutura organizacional da equipe de tomada das decisões educacionais. As práticas de não violência devem ser coerentes e devem estar refletidas nas regras e na utilização das instalações da escola.

Vista pelo ângulo da não violência, a educação ajuda a:

  • aprender sobre as nossas responsabilidades e obrigações, bem como os nossos direitos; 
  • aprender a viver juntos, respeitando as nossas diferenças e similaridades;
  • desenvolver o aprendizado com base na cooperação, no diálogo e na compreensão intercultural;
  • ajudar as crianças a encontrar soluções não violentas para resolverem seus conflitos, experimentarem conflitos utilizando maneiras construtivas de mediação e estratégias de resolução;
  • promover valores e atitudes de não violência - autonomia, responsabilidade, cooperação, criatividade e solidariedade;
  • capacitar estudantes a construírem juntos, com seus colegas, os seus próprios ideais de paz.

Melhores práticas no Brasil:

 

Diálogo intercultural

Embora exista muita informação, tecnologia e conhecimento disponíveis, o que torna o mundo cada vez mais interconectado, isso não significa que indivíduos e sociedades estão vivendo juntos, com paz e justiça para todos. Ainda é necessário um conhecimento adequado para prevenir conflitos, erradicar a pobreza ou possibilitar que todos aprendam para viver em harmonia em um mundo seguro.

A paz é mais do que a ausência de guerra, é viver junto com as nossas diferenças – de sexo, raça, língua, religião ou cultura –, enquanto promovemos o respeito universal pela justiça e pelos direitos humanos dos quais depende tal coexistência. A paz é um processo contínuo de escolha, que requer vigilância constante e participação ativa de todos as pessoas, quando se engajam em um diálogo sincero com outros indivíduos e comunidades.

É fundamental promover e disseminar valores, atitudes e comportamentos que conduzem ao diálogo, à não violência e à aproximação das culturas, em consonância com os princípios da Declaração Universal da Diversidade Cultural, segundo a qual: “Em nossas sociedades cada vez mais diversificadas, é essencial garantir uma interação harmoniosa entre pessoas e grupos com identidades culturais plurais, variadas e dinâmicas, bem como sua disposição de viver juntos. Políticas para a inclusão e participação de todos os cidadãos são garantias de paz, coesão social e vitalidade da sociedade civil”.

Hoje, a paz exige investimentos ativos, liderança esclarecida, valores educacionais poderosos, pesquisa extensiva em inovação social e um ambiente progressista da mídia. Cada um destes constitui um requisito relevante para a missão da UNESCO. A Organização contribui para a paz mundial por meio de seus compromissos com o desenvolvimento da educação e das ciências, do enriquecimento da criatividade cultural, da memória e do futuro cultural, incluindo uma estrutura de mídia global vibrante e orientada para a paz.

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Aprender a viver juntos

“Não é o suficiente estarmos conectados uns aos outros. Também precisamos compartilhar nossas soluções, nossas experiências e nossos sonhos, em uma grande comunidade sustentada pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais”. (Irina Bokova, ex-diretora-geral da UNESCO, na Conferência Internacional das Comissões Nacionais da UNESCO, Viena, Áustria, 31 de maio de 2012).

Nas sociedades cada vez mais diversas que existem na atualidade, a UNESCO continua a realizar diariamente sua missão humanista fundamental de apoiar as pessoas a compreenderem umas às outras e a trabalharem juntas para construir a paz duradoura. A UNESCO também ajuda a tornar as pessoas aptas a criarem e utilizarem o conhecimento para a construção de sociedades justas e inclusivas.

Contudo, a paz duradoura reside em uma rede complexa e frágil de práticas diárias incorporadas em contextos locais, bem como nas realizações mais efêmeras e criativas de indivíduos e comunidades, que se inspiram na convicção de que constituem as condições sustentáveis para viver juntos com dignidade e prosperidade compartilhada.

Em uma época de desafios e ameaças mundiais crescentes, como a desigualdade, a exclusão, a violência e o sectarismo, agravados pelas tensões e pelos conflitos locais que minam a coesão da humanidade, o "aprender a viver juntos", entre todos os membros da comunidade mundial, torna-se um fator mais atual do que nunca.

Os indivíduos se tornam competentes em termos interculturais por meio da aprendizagem e das experiências de vida na complexidade moderna de nosso mundo heterogêneo e, consequentemente, tornam-se preparados para apreciar a diversidade e para administrar conflitos, de acordo com os valores do pluralismo e da compreensão mútua.

Dia Internacional da Convivência em Paz

Conviver em paz é aceitar as diferenças e ter a habilidade de ouvir, reconhecer, respeitar e apreciar os outros, bem como viver unidos e de maneira pacífica.

A Assembleia Geral das Nações Unidas, em sua Resolução 72/130, declarou o dia 16 de maio como o Dia Internacional da Convivência em Paz, como um meio de mobilizar regularmente os esforços da comunidade internacional para promover a paz, a tolerância, a inclusão, a compreensão e a solidariedade. O Dia tem o objetivo de manter o desejo de viver e agir em conjunto, unidos nas diferenças e na diversidade, a fim de construir um mundo sustentável de paz, solidariedade e harmonia.

O Dia convida todos os países a promover ainda mais a reconciliação para ajudar a garantir a paz e o desenvolvimento sustentável, sobretudo ao trabalhar com comunidades, líderes religiosos e outros atores relevantes, por meio de medidas e atos reconciliadores de serviços e ao encorajar o perdão e a compaixão entre os indivíduos

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