Press release

Novo estudo: como as florestas de sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO desempenham um papel vital na mitigação da mudança climática

28/10/2021

A primeira avaliação científica das quantidades de gases de efeito estufa (GEEs) emitidos e absorvidos por florestas localizadas em sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO descobriu que essas florestas desempenham um papel vital na mitigação da mudança climática, ao absorverem 190 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) da atmosfera a cada ano. No entanto, dez florestas liberaram mais carbono do que sequestraram devido à pressão de atividades humanas e da mudança climática, o que é alarmante.

As florestas do Patrimônio Mundial absorvem 190 milhões de toneladas de CO2 por ano

Ao combinar dados obtidos por satélite com informações de monitoramento no âmbito local, os pesquisadores da UNESCO, do World Resources Institute (WRI) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (International Union for Conservation of Nature – IUCN) foram capazes de estimar o carbono bruto e líquido absorvido e emitido pelas florestas dos sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO, entre 2001 e 2020, bem como determinar as origens de algumas dessas emissões.

A pesquisa descobriu que, no total, as florestas do Patrimônio Mundial da UNESCO em 257 locais diferentes, absorveram o equivalente a aproximadamente 190 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera por ano, número comparável a cerca de metade das emissões anuais de CO2 provindas de combustíveis fósseis no Reino Unido.

Agora nós temos o panorama mais detalhado até o momento do papel vital que as florestas em sítios do Patrimônio Mundial desempenham na mitigação da mudança climática.

Tales Carvalho Resende, UNESCO World Heritage Centre, coautor do relatório

As florestas do Patrimônio Mundial, cuja área total de 69 milhões de hectares equivale a aproximadamente o dobro do tamanho da Alemanha, são ecossistemas ricos em biodiversidade. Além de absorverem CO2 da atmosfera, elas também armazenam quantidades consideráveis de carbono. O sequestro de carbono por essas florestas durante longos períodos levou ao armazenamento total de cerca de 13 bilhões de toneladas do elemento químico, que é mais do que o carbono existente nas reservas de petróleo comprovadas do Kuwait. Se todo esse carbono armazenado fosse liberado na atmosfera como CO2, seria o mesmo que emitir 1,3 vezes o total mundial de emissões anuais de CO2 derivadas de combustíveis fósseis.

As descobertas realizadas em 10 florestas do Patrimônio Mundial são motivo de preocupação

No entanto, dado que os sítios do Patrimônio Mundial são altamente valorizados e protegidos, é alarmante o fato de que, entre 2001 e 2020, 10 das 257 florestas emitiram mais carbono do que capturaram, devido a diferentes distúrbios e pressões antrópicas.

Em alguns locais, a limpeza do solo para a agricultura causou emissões maiores do que o sequestro. As crescentes dimensões e gravidade dos incêndios florestais, muitas vezes associados a severos períodos de seca, também são um fator predominante em vários casos. Outros fenômenos climáticos extremos, como furacões, contribuíram em certos sítios.

Todas as florestas devem ser consideradas como ativos no combate à mudança climática. A descoberta do nosso relatório, de que mesmo algumas das florestas mais icônicas e mais bem protegidas, como as encontradas em sítios do Patrimônio Mundial, podem realmente contribuir para a mudança climática é alarmante e traz à tona evidências da gravidade dessa emergência climática.

Tales Carvalho Resende, UNESCO World Heritage Centre, coautor do relatório

Nos próximos anos, o sequestro contínuo e os sumidouros de carbono provavelmente serão afetados em um número crescente de sítios em todo o mundo, como resultado de paisagens cada vez mais fragmentadas e degradadas e de eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.  

A melhor gestão dos sítios pode produzir resultados 

O relatório pede uma proteção robusta e sustentada dos sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO e de suas paisagens circundantes, para garantir que suas florestas continuem a atuar como fortes sumidouros e locais de estocagem de carbono para as gerações futuras. Para alcançar isso, o relatório recomenda uma resposta rápida aos eventos climáticos, bem como a manutenção e o fortalecimento da conectividade ecológica, por meio de uma melhor gestão da paisagem.

Por exemplo, na Indonésia, as agências governamentais têm usado sistemas de alerta de incêndio quase em tempo real para reduzir de maneira significativa seu tempo médio de resposta a incêndios localizados. A resposta rápida é essencial para evitar que os incêndios se transformem em eventos destrutivos que produzem enormes emissões de CO2.

No sítio do Patrimônio Mundial Trinacional de Sangha, localizado no Cameroun, na República Centro-Africana e no Congo, a criação de uma zona neutra ao redor do sítio manteve algumas atividades humanas mais distantes desse importante reservatório de carbono.

O relatório também recomenda a integração da proteção contínua dos sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO nas estratégias internacionais, nacionais e locais relacionadas ao clima, à biodiversidade e ao desenvolvimento sustentável alinhadas ao acordo climático de Paris, ao Marco de Ação Mundial de Biodiversidade Pós-2020 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

 

Esta análise de sítios icônicos do Patrimônio Mundial mostra que a combinação de dados de satélite com informações locais pode melhorar a tomada de decisões no local e fortalecer a responsabilização, ajudando assim as florestas, o clima e as pessoas.

David Gibbs, pesquisador associado do WRI e coautor do relatório

Proteger os sítios do Patrimônio Mundial da fragmentação cada vez maior e das ameaças cada vez mais frequentes será central para a nossa capacidade coletiva de tratar da mudança climática e da perda da biodiversidade.

Tim Badman, diretor do Programa do Patrimônio Mundial da IUCN

Acesse o relatório e a lista das 10 florestas que foram consideradas emissores líquidos de carbono: link aqui

Notícia do UNESCO World Heritage Centre: link aqui

Contato de mídia: Tom Burridge, te.burridge@unesco.org