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UNESCO, CUFA e Instituto Locomotiva promovem 3ª edição do Fórum Data Favela

02/07/2020
17 - Partnerships for the Goals

Com o tema “Economia, Periferia e Diversidade”, encontro virtual apresentou pesquisa sobre a discriminação das minorias no comércio e na prestação de serviços

Promovido pela Central Única das Favelas (Cufa), Instituto Locomotiva e a UNESCO no Brasil, a série de webinários Fórum Data Favela teve ontem (1) sua terceira edição. Com o tema “Economia, Periferia e Diversidade”, o encontro virtual discutiu como as minorias são mais vulneráveis às discriminações no comércio e na prestação de serviços. Participaram do debate a Diretora e Representante da UNESCO no Brasil, Marlova Noleto; o CEO da Favela Holding e fundador da CUFA, Celso Athayde; o fundador e presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles; o apresentador Luciano Huck; o economista Armínio Fraga; o presidente da JR Diesel, Geraldo Rufino; o CEO das lojas C&A, Paulo Correa, entre outros.

O webinário apresentou a pesquisa “O mercado da maioria, periferia e diversidade como estratégia de negócio”. O levantamento aponta que 79%  das minorias já sofreram algum tipo de constrangimento no comércio. Negros, mulheres e integrantes das classes C, D e E, principalmente das periferias, formam a maioria dos consumidores brasileiros. “Nós temos 210 milhões de brasileiros. Desses, 118 milhões são negros, 108 milhões mulheres, 165 milhões são da periferia, das classes “C”,”D” e “E”, e 15 milhões são homossexuais declarados", destacou Renato Meirelles, que também abordou importância das marcas terem um posicionamento em relação ao tema. “Para as marcas, o custo do erro aumentou muito. É preciso pensar muito mais antes de tomar uma ação. Pra não errar, é necessário encontrar o ponto de equilíbrio entre agilidade e coerência. Não existe mais espaço para declarar o que não se pratica. A diversidade funciona como estratégia: 98% dos consumidores não comprariam de marcas que não aceitam a diversidade".

Paulo Correa, da C&A, afirmou que “é impossível o crescimento ser sustentável sem que se tenha uma dimensão de diversidade. Na C&A, 60% dos funcionários são negro e na mesma proporção são 60% de clientes negros. Estamos bem conectados com a média do país. Também estimulamos que nossos funcionários participem de projetos sociais”.

Parceiro da CUFA há 20 anos, o apresentador Luciano Huck disse acreditar que, ao final da pandemia, o Brasil será um país mais solidário e fraterno: “em três meses, o Brasil doou quase o dobro que doamos o ano passado inteiro: 0,2% do nosso PIB. Foram 6 bilhões doados pela sociedade civil. A pandemia iluminou nossas desigualdades de maneira exponencial. E a educação e o conhecimento são as armas mais poderosas que temos".

Anfitriã do encontro, a Diretora e Representante da UNESCO no Brasil, Marlova Noleto, manifestou seu entusiasmo pelo fato de todos os convidados, sem exceção, terem destacado que só com a educação é possível transformar o país. “Quando me perguntam o que precisa para mudar o Brasil, eu respondo: são três coisas: educação, educação, educação. Países que se transformaram profundamente como a Finlândia e a Coreia do Sul, fizeram isso por meio de investimentos em educação”, finalizou.